quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Enquanto tudo parece se arrastar, e eu continuo aqui... com minhas pétalas de desalento, com meu peito em eterno e silencioso pranto... com minhas palavras que nada dizem, nada são.
Enquanto eu, desgostosa com o destino, continuo a amaldiçoar qualquer alma errante que cruze meu caminho, continuo a maldizer qualquer infortúnio prazer da carne. Exageros...
Eu sou apenas o ódio em ócio, o veneno que circula pelas tuas veias... a vontade maldita de deglutir tuas vísceras.

Eu tenho raiva.

E gostaria de renascer.
Pura e virginal como o rosto da pobre donzela que dorme, sonhando com algum príncipe encantado... e mal sabe ela, coitada, vai ser chifrada.
Meu mau humor se estende por cada membro do meu corpo, minha impaciência no tremer das pernas, minha falta de vontade até mesmo para levantar-me e dirigir meu corpo até o banheiro, afim de satisfazer minhas necessidades humanas. E toscas. Nunca deixo de contar azulejos. E isso têm me irritado com mais freqüência.

O meu lugar no mundo? Que mundo, cara?
Eu tenho idéia do que possa ocorrer. Um escândalo. Eles me odiariam profundamente se soubessem...
A vagabunda. A meretriz ingrata que dorme com os pastores procurando pela satisfação de seus desejos imundos... enquanto promete aos deuses fidelidade e devoção. Enquanto diz, com toda sua alma, com todo seu coração, que o mundo deveria parar no instante que esses sentimentos pararem de pulsar dentro de mim.
E sabe o que eles me respondem? Vagabunda!
Esqueceu que o mundo não é só sonhos. Esqueceu que os deuses pouco se importam com quem as pessoas se deitam ou não. Nada disso parece ter importância.
Ainda assim, não consigo deixar de pensar todas as vezes que me olho no espelho: "tola!... por deus, mil vezes tola!"

E no que diabos me transformo todas as vezes que escrevo?
A poetisa infante deixou-me com as pragas do desalento. Sou apenas voz e piedade. Compaixão sem sinceridade. Profundidade e intensidade... nos terrores e temores que a vida me traz.

E eu os trago. Trago até meu pulmão queimar. Aspiro suas vidas e paixões até que lhes restem o remorço da vida. Até que o desgosto inundem suas almas e desejem a morte.

Oras! Estou sendo sincera.

Ainda espero o companheiro condenado. A pobre alma que por mim ainda sonha e suspira.
Tudo que eu mais amo... e ainda assim tenho que deixar...
Permitir que o tempo o arraste até o fim do mundo.
Tenho que permitir estar ausente. Tenho que deixar todas as noites...
Tenho que contar seu pulsar... para que eu me sinta viva. Para que meu coração podre sobreviva.
Tenho que respirar o ar de seus beijos, tenho que desejar sua carne...
a minha apodrece cada vez que acordo...
Mal consigo respirar.... e já cansei, cansei de derramar lágrimas...

Ainda dói! Diabos! Ainda dói! Queima como nunca havia queimado antes... e eu sei, amour, nunca, nunca queimará assim...
A brasa quente das tuas palavras ecoando no meu peito....

"tua doçura é sempre como uma faca a dilacerar todos os meus sentimentos"

"tua doçura é sempre como uma faca a dilacerar todos os meus sentimentos"

"tua doçura é sempre como uma faca a dilacerar todos os meus sentimentos"

"tua doçura é sempre como uma faca a dilacerar todos os meus sentimentos"

"tua doçura é sempre como uma faca a dilacerar todos os meus sentimentos"

"tua doçura é sempre como uma faca a dilacerar todos os meus sentimentos"

"tua doçura é sempre como uma faca a dilacerar todos os meus sentimentos"

...e milhares de outras vezes, eu repito.



Não aguento o toque de tuas mãos.... sinto como se queimasse em minha alma!
Sinto como se ficassem as marcas dos teus dedos... como se o caminho no meu corpo estivesse estampado em minha pele...
Sinto o prazer... sinto a angústia da abstinência...
Abstinência das tuas palavras, suaves carícias em meus ouvidos...
Sinto o remorso do rancor... sinto a mágoa da desilusão...
sinto o pesar da despedida... sinto a tragédia do amor.

Eu sou apenas uma personagem mal escrita por algum autor louco.
Eu inexisto.

"Minha vida é um palco.. e minha história, uma narrativa imperfeita."

Cansei de repetir meus clichês.
Vou dormir com os ratos hoje. Chega de brincar de gato.

//alter bridge - in loving memory.


Faz falta.
Cada época e sua lembrança.
A eterna melodia nostálgica.
E eu desfaleço....

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